A negociação associa a marca da empresa de energia a um dos principais equipamentos esportivos e culturais da Bahia. Além de receber os jogos do Esporte Clube Bahia, o estádio também é palco de shows, apresentações internacionais e grandes eventos.
Os primeiros sinais da mudança apareceram no domingo (18), durante a partida entre Bahia e Flamengo, válida pelo Campeonato Brasileiro. Painéis e elementos visuais em tons de azul anteciparam a nova identidade antes da divulgação oficial. Os valores envolvidos na negociação e o período de vigência do contrato ainda não foram informados.
Nova marca mantém a identidade histórica da Fonte Nova
A mudança no nome comercial foi desenvolvida para incorporar a marca Acelen sem deixar de lado a história e a identificação popular da Fonte Nova. A proposta visual mantém elementos tradicionais do estádio, como a tipografia original e referências aos arcos da estrutura, combinando essas características com a identidade da companhia.
De acordo com a empresa, o desenvolvimento da marca levou em consideração a ligação afetiva dos baianos com o espaço, reconhecido como um dos principais pontos de encontro para o esporte e o entretenimento em Salvador.
“Essa parceria nasce da nossa forte relação com a Bahia. A Arena Fonte Nova é um lugar de encontro, emoção e, acima de tudo, pertencimento. É um patrimônio dos baianos, dos brasileiros”, declarou Marcelo Lyra, vice-presidente de Relações Institucionais, Comunicação, ESG e Desenvolvimento Territorial da Acelen.
O lançamento também apresenta o slogan “Toda energia tem uma fonte. A nossa é a Bahia”, que estabelece uma conexão entre o conceito de fonte e a presença da companhia no estado.
Além da exposição da marca, a parceria prevê ações e experiências ligadas ao futebol, à música e aos eventos realizados na arena.
A chegada da Acelen ocorre após a interrupção do contrato comercial que vinculava o estádio à Casa de Apostas. O acordo anterior havia sido estabelecido no início de 2024 e previa um pagamento de R$ 13 milhões por ano, ao longo de quatro anos, com valor total de R$ 52 milhões.
Conforme as informações divulgadas sobre o caso, a suspensão estaria relacionada à Medida Provisória nº 1.394/2026, apontada como responsável por restringir a exploração comercial e a publicidade de apostas de quota fixa no país. Com a interrupção da parceria, o estádio voltou temporariamente a utilizar o nome Arena Fonte Nova.
A nova negociação representa mais uma etapa na trajetória comercial do equipamento. Antes da Casa de Apostas, a arena utilizou a marca Itaipava Arena Fonte Nova, em um contrato com o Grupo Petrópolis. A parceria vigorou entre 2013 e 2023 e teve valor total divulgado de aproximadamente R$ 100 milhões.
Refinaria de Mataripe concentra investimentos bilionários da Acelen
A presença da Acelen na Bahia vai além do novo acordo com a arena. Criada em 2021 pelo Mubadala Capital, braço de investimentos ligado ao fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, a companhia assumiu naquele ano a operação da Refinaria de Mataripe, localizada em São Francisco do Conde, na Região Metropolitana de Salvador.
Desde que passou a administrar a unidade, a empresa informa ter destinado cerca de R$ 4 bilhões à modernização da estrutura. Inaugurada em setembro de 1950, a refinaria possui capacidade para processar mais de 300 mil barris de petróleo por dia, segundo dados divulgados pela companhia.
A Acelen também atribui à unidade uma participação relevante no fornecimento de combustíveis: aproximadamente 80% do abastecimento da Bahia, 42% do Nordeste e 14% da capacidade brasileira de refino.
Segundo a empresa, os investimentos têm como objetivos aumentar a eficiência operacional, reforçar a segurança, ampliar a confiabilidade dos equipamentos e melhorar o desempenho ambiental.
A operação mantém mais de 1,1 mil empregos diretos, sendo cerca de 81% ocupados por profissionais na Bahia, além de aproximadamente 3,5 mil postos de trabalho indiretos. A companhia também desenvolve iniciativas voltadas à capacitação profissional, à educação e ao desenvolvimento das comunidades onde atua.
Grupo City pode disputar a administração do estádio
A mudança de patrocinador não representa, necessariamente, uma alteração no comando da Arena Fonte Nova. O contrato de Parceria Público-Privada (PPP) responsável pela administração do equipamento tem vigência prevista até 31 de março de 2028, data que poderá abrir espaço para discussões sobre o futuro da concessão.
Nesse cenário, o Grupo City, responsável pela gestão do futebol do Bahia, demonstra interesse em participar de uma eventual disputa pela administração do estádio.
Entretanto, não há confirmação de que o grupo assumirá o controle da arena. O acordo firmado com a Acelen trata dos direitos comerciais de utilização do nome, conhecidos como naming rights, e não da gestão do equipamento.
São contratos com finalidades distintas: enquanto os direitos de nome permitem associar uma marca à identidade comercial do estádio, a administração depende de uma concessão ou de outro instrumento contratual específico.
Assim, a Arena Acelen Fonte Nova inicia uma nova fase de exposição comercial, enquanto o futuro da gestão do espaço permanece condicionado às definições relacionadas ao encerramento da atual PPP.


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