O número de mortos provocados pelas fortes enchentes que atingiram regiões do Nepal e do Tibete chegou a 750 neste domingo (30). Outras 3.044 pessoas continuam desaparecidas, segundo informações divulgadas pelas autoridades locais.
As equipes de resgate seguem mobilizadas, mas as operações têm sido prejudicadas pelo mau tempo, por novas chuvas e pelo risco de novos deslizamentos. Em algumas áreas, socorristas precisaram se deslocar para regiões mais altas devido à elevação do nível dos rios.
Avaliações preliminares indicam que o desastre pode estar relacionado ao colapso de uma geleira na região do Himalaia. O evento provocou um grande deslizamento de lama e detritos, bloqueando temporariamente o curso de um rio na fronteira entre o Nepal e a China e provocando uma inundação repentina.
Um lago chegou a se formar após o bloqueio do rio e passou a preocupar autoridades dos dois países. O risco de rompimento e de novas inundações levou à suspensão das operações de resgate em diferentes momentos desde sexta-feira (28).
A Cruz Vermelha estima que mais de 90 mil pessoas possam ter sido afetadas pelo desastre. As autoridades chinesas relacionaram a tragédia aos impactos das mudanças climáticas.
Túneis concentram operações de resgate
No Nepal, os esforços das equipes de emergência estão concentrados em centenas de pessoas que podem estar presas em túneis de usinas hidrelétricas.
Segundo as autoridades, uma grande torrente de gelo, rochas, lama e outros detritos desceu pelos rios da região, atingindo comunidades e estruturas instaladas próximas às margens.
O número de mortos no Nepal chegou a 734, enquanto 2.498 pessoas seguem desaparecidas. Outras 7.514 foram resgatadas, de acordo com a autoridade nacional de gestão de desastres.
No lado chinês, no condado de Gyirong, no Tibete, pelo menos 16 pessoas morreram e outras 546 estavam desaparecidas até a noite de sábado (29), segundo autoridades locais.
Entre os desaparecidos no território tibetano estão 261 estrangeiros de 23 países. O levantamento divulgado pelas autoridades chinesas aponta que 104 são nepaleses, 49 são indianos, além de 33 letões, 18 americanos e 15 britânicos.
China e Nepal reforçam cooperação
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, classificou o episódio como o "desastre transfronteiriço mais grave" registrado entre China e Nepal nos últimos anos.
Durante conversa telefônica com o representante do governo nepalês, no sábado (29), Wang afirmou que as operações de resgate enfrentam dificuldades e desafios considerados sem precedentes.
Pequim e Katmandu trabalham em conjunto para localizar desaparecidos, identificar vítimas e ampliar a cooperação em ações de prevenção e resposta a desastres naturais.
O Nepal informou que, embora não necessite de ajuda estrangeira para as operações gerais de resgate, precisa de apoio especializado em áreas como buscas em túneis, testes de DNA, armazenamento refrigerado de corpos e identificação forense de vítimas.
Especialistas da Índia e da China já estão na região para auxiliar nos trabalhos de abertura dos túneis e nas operações de resgate.
Novas chuvas aumentam preocupação
O nível do rio Trishuli voltou a subir neste domingo após novas chuvas, aumentando a preocupação das autoridades e obrigando moradores e equipes de emergência a procurarem áreas mais seguras.
O lago formado após o primeiro deslizamento havia praticamente desaparecido no fim da tarde de sábado, segundo informações divulgadas pela imprensa estatal chinesa. No entanto, drones identificaram um novo deslizamento de terra durante a noite, a cerca de 2,8 quilômetros da área onde estava o lago.
O novo deslizamento provocou a formação de outra barragem natural e de um novo reservatório de água, renovando o alerta para possíveis inundações.
Por segurança, as equipes de resgate foram transferidas para uma área próxima à passagem de fronteira de Gyirong, enquanto autoridades dos dois países seguem monitorando as condições climáticas e o comportamento dos rios.
As buscas continuam, mas o número de vítimas ainda pode aumentar devido à quantidade de desaparecidos e às dificuldades de acesso às áreas atingidas.


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