A desembargadora Adenir Carruesco relatou nas redes sociais uma situação que classificou como exemplo do racismo estrutural no Brasil. O episódio aconteceu enquanto ela fazia compras em um supermercado após realizar uma caminhada pela manhã.
De acordo com a magistrada, uma cliente do estabelecimento se aproximou diversas vezes durante sua permanência no local, solicitando informações sobre setores e produtos, sob a suposição de que ela integrava a equipe de funcionários.
Ao comentar o caso, Adenir afirmou que a situação ultrapassa uma interpretação individual e representa comportamentos que, segundo ela, estão enraizados historicamente na sociedade.
No vídeo publicado, a desembargadora declarou que a mulher considerou natural associá-la a uma posição de serviço dentro do estabelecimento.
Durante o relato, a magistrada também chamou atenção para a pouca presença de pessoas negras — especialmente mulheres negras — em cargos de destaque dentro do Poder Judiciário brasileiro.
Ela afirmou ainda que, fora do ambiente profissional e distante dos símbolos que identificam sua função, continua sendo percebida socialmente pela cor da pele. “Sem a toga, sou apenas mais um corpo preto”, disse.
Segundo Adenir, situações como essa reforçam a necessidade de discutir e enfrentar práticas de discriminação racial ainda presentes no cotidiano, além de ampliar a representatividade de mulheres negras no Judiciário.
Até o momento, o Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região não havia divulgado posicionamento oficial sobre o caso.


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